Em Porto Alegre, me sentindo cada dia mais distante de São Paulo...
Os Saltimbancos - Minha Canção
Dorme a cidade Resta um coração Misterioso Faz uma canção Soletra um verso Lá na melodia Singelamente Dolorosamente Doce a música Silenciosa Larga o meu peito Solta-se no espaço Faz-se certeza Minha canção Réstia de luz onde Dorme o meu irmão
Os Saltimbancos - A Cidade Ideal
Mas não, mas não O sonho é meu e eu sonho que Deve ter alamedas verdes A cidade dos meus amores E, quem dera, os moradores E o prefeito e os varredores Fossem somente crianças Deve ter alamedas verdes A cidade dos meus amores E, quem dera, os moradores E o prefeito e os varredores E os pintores e os vendedores As senhoras e os senhores E os guardas e os inspetores Fossem somente crianças
Escrito por Patricia Leonardelli às 23h15
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Casa
E lá se foi mais um semestre. Cada vez mais meus finais de semestre me parecem finais de ano. Esse foi lindo demais. A peça foi um sucesso que, realmente, nenhuma de nós podia imaginar que fosse se tornar quando iniciamos a nossa miserável produção. Os milagres dificilmente vêm, mas, quando vêm, surgem de onde você menos espera. Foi a lição que aprendi nesse semestre. Agora, vou para Porto Alegre, e lá fico até o final do mês. Cuidando da minha mãe, que vai se operar. E do meu véio querido. Parar de pensar mim, coisa que faço tanto, o tempo todo. Todos fazemos, o tempo todo. Parar de pensar na gente e colocar outras pessoas no centro de nossa vida, por um tempo, pode ser um exercício maravilhoso de percepção. Voltamos agradecidos, valorizando o que temos, amando mais e se irritando menos com tantas coisas insuportáveis que nos cercam. Tolerando menos o que é intolerável em nossa vida. Ontem à noite, passei rápido por um farol na Dr. Arnaldo, e vi de relance um menino chorando no meio fio da calçada. Ele já não pedia nada, só chorava. Não deu para ir para a casa. Dei meia volta na Teodoro Sampaio, e quando cheguei onde ele estava, tinha um motoqueiro dando um monte de bolachas para o menino. O cara também não conseguiu passar o farol e ir para casa. Dei todo o dinheiro que eu tinha (imagine a fortuna!) para o menino, que amanhã vai estar novamente no frio, na rua, com fome, sem amor sem casa, sem nada do que as crianças da idade dele merecem ter.
Eu vou para casa para lembrar que tem certas coisas que não dá para aceitar.
Para lembrar o que não pode ser esquecido nunca.
Escrito por Patricia Leonardelli às 23h18
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Esse eu escrevi para o processo de criação de meu novo espetáculo, que vai estreiar no segundo semestre...
“Quando eu nasci, meus pais pararam de fumar. Ali, eu já aprendia que quando viemos a esse mundo, perdemos algo. Platão dizia que perdemos tudo, tudo que importa, toda a verdade. E ficamos só com as ilusões dos sentidos, como ratinhos do laboratório de Deus que acreditam que suas gaiolas com um pouco de comida e uma rodinha para correr podem ser seus habitats naturais. Calderón vai dizer, milênios depois, que a vida é sonho, e os sonhos, sonhos são. Sonhos SÃO! São mais que a vida, ou a idéia de que existe uma vida objetiva que é a verdadeira, e que não conseguimos atingir. Tudo é sonho? Estamos agora num estado onírico da teatralidade divina, que nos permite a graça de acreditarmos que nossa existência particular é importante dentro do grande jogo daquilo que chamamos “vida”? Que lindo presente. Lindo e inebriante, pois sabemos que essa idéia tornou-se uma obsessão para nós, os macacos- casi-sapiens, a ponto de destruirmos tudo que nos é diferente, tão fortemente cremos que somos especiais. Não somos, e isso dói. É doído para o ego de um macaco tecnicamente evoluído saber que é só parte, e não a mais fundamental, da grande obra. Aí a gente se revolta, e quebra tudo. “Não brinco mais!”, diz o macaco-casi-sapiens, diante do imponderável, e mostra-se mais ignorante do que é. As coisas seguem, não importa se você vive uma semana, um dia ou oitenta anos. Ou duzentos anos, como as árvores. Não importa? Claro que importa! Faz toda a diferença. Dormir por duzentos anos. Ficar uma semana acordado direto. Sonhar. Viver. Lembrar. Mentir. A morte é o grande adormecer ou o grande despertar? E se a vida é sonho, para onde iremos quando acordarmos? Só espero que tenha alguém por lá, pois, como mulherzinha que sou, e assim Deus me fez (logo, disso não tenho culpa), não vou agüentar passar a eternidade sem ter com quem conversar...”
Escrito por Patricia Leonardelli às 16h37
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Buteco das mina I:
“Quando um homem decide ser homem...ah, que coisa linda que é!”
Escrito por Patricia Leonardelli às 13h45
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Tropa da elite
Wellington Gonzaga de Costa, de 19 anos, Marcos Paulo da Silva Correia, de 17, e David Wilson Florêncio, de 24. São esses os nomes dos três jovens do Morro da Providência que foram assassinados por traficantes de uma favela vizinha após terem sido entregues de bandeja por militares do Exército.
Alguém se deu ao trabalho de ver os rostos das mães deles diante do pedido de desculpas do exército?
Longa vida ao Capitão Nascimento, nosso herói, e sua tropa de psicopatas fardados. Tropa de Elite, disso não temos dúvida.
Há coisas que nem a fé mais adamantada consegue conceber.
Escrito por Patricia Leonardelli às 16h03
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River at work
Dois dias no Rio de Janeiro a trabalho.
E deu tudo errado.
Mas o Rio é tão lindo,
que mesmo quando tudo dá errado,
ainda assim,
dá tudo certo.
Escrito por Patricia Leonardelli às 15h32
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Aplausos de agradecimento. Enormes, maiores que a vida. Lágrimas desprevenidas, engasgadas diante de tanto amor. Pessoas no chão, apertadas, em pé, menos confortáveis do que mereciam estar. “Aquele lugar é ruim de ver!”, avisa o nosso querido diretor nervoso e culpado, como todos nós, na bilheteria. “Mas eu quero mesmo assim!”, disse o público. E nós, que não temos dinheiro, que não temos patrocínio, que não temos nada (a não ser esse nosso amor), ficamos, cada fim-de-semana, menos e menos solitárias
Escrito por Patricia Leonardelli às 19h01
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Banana is my bussines
É o nome do documentário sobre a Carmem Miranda que assisti no Canalbrasil esses dias. Fiquei pensando no tamanho da importância da Carmem Miranda no nosso imaginário. Ela ainda é o maior símbolo de alegria pura e inteligente que o Brasil já produziu. Se hoje o público parece se satisfazer com mulheres-melancia ou samambaias, ela era todas as frutas, cores e sabores juntos e enchia a tela como seu um metro e meio de altura e três metros e meio de sorriso. Claro que hoje ela anda meio esquecida, porque, atualmente, ser alegre não é considerado nem bonito nem inteligente, e sim burro e ingênuo. Se você não está sofrendo, deprimido, lamentando como sua vida é infeliz e como o mundo é complicado, você não é profundo e denso, é um bobo alegre que não merece ser escutado. Mas, Carmem era infinitamente maior que essas idiotices do impotente pensamento de nossos tempos, e sabia que a única força real é a alegria, a celebração, o riso puro e a dança. O que eu não sabia é que ela sofreu como um camelo em sua vida pessoal, de fazer jus a Piaf, e tantas outras mulheres que pagaram um preço altíssimo por brilhar mais do que o resto do mundo. Brilhar é algo terrivelmente cansativo. Não é tão difícil posar de deprimido-profundo-existencialista-pessimista-da-cidade-grande, por que, no fundo, você tá mortinho de pena de si mesmo e do seu sofrimentinho de homem sem rumo, e está louco para que venham seus amigos dizer: “nossa, como fulano é sensível!”. Blargh! Tenho vontade de vomitar. Difícil, ferrado mesmo, é brilhar no meio dos medíocres, é sorrir diante dos deprimidos de plantão e suas vidinhas cheia de problemas profundos. Por isso, todas, absolutamente todas que brilharam mais do que o permitido, morreram tão jovens, e com tanto sofrimento. O mundo dos buracos negros é implacável com as verdadeiras estrelas.
Escrito por Patricia Leonardelli às 13h42
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Nossa Senhora do Bom Conselho
- Ah, minha filha, tanto que eu te avisei. Porque tu nunca faz o que eu mando? Porque tu gastou tanto tempo estudando na tua profissão? Fazendo mestrado, doutorado, essas bobagens que não servem para nada? Desperdiçou tanto dinheiro com esse monte de livros, que ninguém lê, nem conhece? Eu te falei tantas vezes para fazer academia, drenagem linfática, pôr megahair, direcionar sua energia para o que dá retorno. Falar com as pessoas certas, admirar o trabalho de quem ganha editais, conversar idiotices com os críticos e dar-lhes o tratamento especial que eles acreditam que merecem, pois, senão, eles não vão ver tuas peças, não vão escrever e ninguém vai assistir, nesse mercado saturado. E sorrir, sorrir, sorrir sempre! Enfim, fazer as coisas que realmente podem garantir o teu futuro, meu Deus?
- Desculpa, mãe. Cometi um equívoco terrível. E agora, infelizmente, é muito tarde para consertar.
Escrito por Patricia Leonardelli às 13h50
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Isso aconteceu de verdade. E foi hoje.
Eu estava em casa chorando terrivelmente triste, inconsolável mesmo.
Aí, parou um passarinho na minha janela e ficou cantando.
Ele era verde.
Acabou a história.

Como diz meu querido Ivam, não é para ficar feliz?
Escrito por Patricia Leonardelli às 22h30
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Reminiscências dos atores ante um espelho à meia-noite
James Joyce
Enchem a boca com a língua do amor. Ringe.
Os treze dentes
Com quem sorriem tuas magas mandíbulas. Aflige.
A comichão, a covardia, gula nua da carne que te atinge.
Em ti o hálito do amor é ranço, quer palavras, quer canções, o digam,
Tão ácido quanto o hálito de um gato,
O áspero da língua.
O cinza que te encara
Não mente – pele, ossos, nada além
Disso. Às bocas gordurosas beijos. Ninguém
A irá escolher pra pôr a boca em que teus olhos vêem.
A fome aterradora tem sua hora.
Arranca o coração, sanguessalgado, fruto das lágrimas –
Arranca, devora!
Escrito por Patricia Leonardelli às 10h27
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E vamos prorrogar a temporada até 29/06!
Palavras para descrever essa alegria, não tenho. Amo esse trabalho!
“A Valsa das Solitárias” na Casa das Rosas até 29/06, sábado às 21h e domingos às 19h.
Imperdível!
Ah, um probleminha, no fim-de-semana dos dias 14 e 15, não teremos espetáculo, pois a Casa tem outro evento enorme e inadiável, que foi agendado antes do início de nossa temporada.
Mas nos outros dias, normal, portanto, é melhor ligar e reservar seus ingressos que os lugares são poucos.
Muito feliz!
http://www.youtube.com/watch?v=wSqngNde0Ak

Escrito por Patricia Leonardelli às 12h20
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Sandra Corveloni.
Anti-musa.
Linda.
Palma de ouro para Cannes pelo elogio e defesa da autenticidade
desses seres cuja autenticidade, hoje,
é o maior crime de mercado possível.
Essa é uma vitória maior do que parece.
Escrito por Patricia Leonardelli às 00h01
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Dessa vez a correria está muito, muito grande mesmo. Eu não sei se isso acontece com todo mundo, mas tem fases da minha vida que eu sinto que perco completamente a consciência do que estou fazendo. Desde que defendi minha tese tem sido assim. É tanta correria, tanta coisa para fazer, tanto trabalho que aquelas atividades que exigem um pouco de reflexão e concentração, como escrever aqui, por exemplo, vão ficando negligenciadas. Queria muito escrever sobre os dois primeiros finais de semana da nossa “Valsa”, e da apresentação mais linda que já tive em minha carreira inteira, no sábado passado, quando o público, um a um, veio me abraçar ao final da peça. Isso nunca tinha me acontecido em teatro adulto. Tanta gratidão eu só tinha experimentado no teatro para crianças. E sobre a coluna da Mônica Bergamo, que colocou uma fotona nossa hoje (obrigada, Diógenes, querido!) e fez eu me “sentir”. Queria escrever sobre a experiência de assistir de novo ao filme “A História Real”, do David Lynch, o filme mais lindo que vi nos últimos anos, em que a história verídica e comovente do senhor que atravessa os EUA numa semi-carroça motorizada para fazer as pazes com o irmão com quem está brigado há dez anos se mistura à fantástica história da vida do ator que o interpreta, que se suicidou com um tiro na cabeça por não agüentar as dores de um câncer na próstata. A vida é tão frágil, e tão rara. Cada vida é tão especial. Queria escrever sobre os maravilhosos filmes indianos que tenho assistido. Adoro filmes indianos, bolywood, off-bollywod. Mira Nair, minha predileta. Ao lado de Billy Wilder e Frank Capra. É preciso um pouco de refúgio para percebermos a dimensão da vida que passa e diminui a cada dia. A de todos nós. Isso não é um problema, é um alerta calmo para fazer cada dia ser mais do que a gente imaginou que seria.
Escrito por Patricia Leonardelli às 22h41
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Arre, que difícil escrever em época de estréia! Na semana passada, tava louca, e nessa, que eu achei que as coisas iam se acalmar, está igual. Toda nossa vida para na semana da estréia, e vem te cobrar na semana seguinte. Tem fases em que a vida fica assim, um furacão, e você lá dentro que nem a vaca do “Twister”. A minha está assim atualmente.
O que dizer desse projeto? A escrita do Jorge Díaz é realmente fenomenal. A maneira tão sutil como ele trabalha o absurdo e o mágico nos seus textos é algo que nunca vi, em nenhum autor, e olha que tenho lido muitos textos nos últimos tempos. A Fé e a Liria, minha colegas queridas, o Diego, meu diretor tão jovem e já tão talentoso, o pessoal da Casa das Rosas, que é ótimo. Tudo dando tão certo que dá até medo de ficar falando. Acho que é assim que acontece quando a gente trabalha com amigos. Nem sempre dá, mas, quando dá, é sempre o melhor negócio.
E falando nisso, saiu uma crítica bem bacana do Michel Fernandes no site Aplauso Brasil e uma matéria linda da Beth Néspoli no Estadão de terça. Quem se animar, dê uma bisoiada.
Escrito por Patricia Leonardelli às 19h12
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