Sobre pinheiros e família Acabei de chegar de Porto Alegre, onde gastei o dinheiro que não tinha para passar só dois dias, porque foi aniversário da minha mãe. E ela morreu de felicidade de reunir os filhos. E se essa merda de dinheiro não serve pra isso, eu não sei pra que serve. Na frente da casa da minha mãe, tem um pinheiro muito antigo, que veio de São Marcos, cidade da serra gaúcha onde vive toda minha família por parte de pai. Eles que mandaram o pinheiro num dos nosso natais, acho até que o pai e a mãe ainda eram casados nessa época. O fato é que o pinheiro cresceu absurdamente, e está maior do que todas as outras árvores do bairro. Só tem um pequeno problema: o nosso pinheiro é torto. Não um pouco torto, terrivelmente torto, uma Torre de Pisa natural no pátio. Se cair, não vai apenas destruir o toldo da minha mãe, mas provavelmente os fios de telefone e TV do vizinho, o seu Guilherme. E eu e minha mãe concluímos que esse pinheiro só podia sair assim: o pinheiro Leonardelli, terrivelmente torto e errado. Mas, também terrivelmente forte e duro de quebrar. Assim somos nós.
E esses três haikais (se pronuncia "haikú", áfe que deselegância) vão para minha prima-mais-que-irmã, Luciana Verdi. Como o genial compositor. 
“Relvas de verão sob as quais os guerreiros sonham.” “Frescura: os pés no muro ao dormir a sesta.” “Casca oca a cigarra cantou-se toda.” Matsuô Bashô
Escrito por Patricia Leonardelli às 22h14
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