Dolcissima - Blog de Patricia Leonardelli


Boa noite, smooth criminal. Você me fez dançar bastante. E o resto é silêncio.

 

 



Escrito por Patricia Leonardelli às 01h39
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A atriz Farrah Fawcett, uma das integrantes da série

Irônica mesmo é a vida. Essa foi uma das minhas “ídolas” de infância, e de quase todas as meninas da minha geração, tenho certeza. Eu sempre brincava que era a Kelly, a Jaclyn Smith, que era morena e eu gostava mais, mas entre as minhas primas era sempre uma briga para ver quem seria a Jill. Morreu hoje, de um jeito tenebroso. Que coisa...

E ontem eu assisti a uma peça linda, linda.

“Gardênia”, no SESC Consolação.

E o melhor de tudo é que o público ficou quieto.

Sim, as pessoas conseguiram ficar em relativo silêncio por uma hora e meia.

Talvez eu possa voltar a freqüentar os teatro e cinemas, então.

Há uma esperança.

E saí tão encantada com o espetáculo que acabei na Praça Roosevelt, de onde só saí às 5h, lamentando. Glauco, Celso, Edu Estrela, amigos que vinham e iam e garrafas de vinho que vinham e iam. Delícia de noite. Tenho esperança de novo.

E para as minhas queridas “Panteras” de Sampa, Mirelle e Flavinha, Chacal:

Caleidoscópio Cinemascope

 

a vida é um cristal
que se reflete em pedaços
a vida como ela é
é a coleção dos cacos

vi um filme que Aladim
da lâmpada tirava um gênio
ele era James Dean
que tinha a cabeça a prêmio

eu parti do Irajá
passando por Paraty
eu ainda chego lá
até onde quero ir

vi um filme que Fellini
fez num ensaio de orquestra
tinha tiro de canhão
e acabava numa festa

se no mato me perdi
nesse mato me acharei
entre mais de mil picadas
numa delas sou o rei

eu vi Deus e o diabo
dançando na terra do sol
Glauber Rocha era o máximo
tão bom quanto rock-and-roll

minha estrada é um filme
cheio de amor e ódio
pra onde quer que me vire
cinemascope caleidoscópio.

 

 

 

 



Escrito por Patricia Leonardelli às 15h40
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criancas brincando na periferia por thallesfrederico.

Pobre blog. Muito, muito tempo sem escrever. Porque há muitas, muitas coisas a serem feitas. Desde a última postagem, um filme, alguns artigos para revistas sobre minha tese, revisão da tese para publicação, fechar as parcerias de teatro para o segundo semestre e muitas, muitas aulas. Em especial, estou participando de um projeto lindo daqui de São Paulo, do qual eu queria participar a muito tempo: o Teatro Vocacional. Estou dando aula para duas turmas na periferia da zona sul. Está sendo uma experiência única e inesquecível. Não, meus queridos, nós não temos problemas. E uma colega que dá aula no CEU Paraisópolis vem contar que uma aluna lhe procurou por que estava tendo “problemas” com o padrasto, e fugiu de casa e precisava de ajuda. E outra aluna, minha, vem procurar o teatro porque não escuta a própria voz. Não, meus queridos, nós não temos problemas. Só não sabemos agradecer. E eu quero agradecer muito. E estou sendo profundamente transformada pela vida, por isso ando tão quieta. Não tenho muita vontade de cantar os louros das minhas vitórias, nem apontar dedos na cara de quem quer que seja. Não me sinto apta pra isso agora. Por isso os vinte dias de antibiótico e a cirurgia em agosto. Porque tudo me parece diferente a gora. E eu só quero agradecer pela enorme sorte que me foi dada nessa vida. E conhecer cada vez mais vidas, cada vez mais gentes de lugares diferentes.

Para Dirceu Alves Jr. Escolhi esse. Sobre amizades que não mudam nem nas maiores tempestades. E que sempre nos lembram dos tempos em que éramos nós mesmos.

RECORDO AINDA

Recordo ainda... e nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...

Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...

Estrada afora após segui... Mas, aí,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai!...
Que envelheceu, um dia, de repente!...

Mario Quintana

E para pensarmos sobre como vamos viver hoje, do mesmo autor:

SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ªfeira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente ...

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

 

 

 



Escrito por Patricia Leonardelli às 11h56
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