
Ando vendo coisas tão lindas... “Cardênio”, do Folias. Que elenco é esse, meu Deus! Todos os prêmios para essa peça. Semestre de se perder e de se encontrar. Todos me perguntam: quando vai voltar pro palco? Lugar de ator é no palco. Não vai mostrar serviço? Não acredito em ator que não está no palco dando a cara pra bater. Ator que só estuda? É teórico, não sabe de nada, estuda porque não sabe atuar, ou não tem coragem...zzz. Ah, meus queridos... Calma. Respirem um pouco. Olhem o dia. Façam coisas que não costumam fazer. Ande com pessoas com quem não costumava andar. Mude o ponto de vista. Faça novos amigos. Prove coisas que nunca provou. Prove pessoas que nunca provou. Corpos que nunca provou. E depois volte pra sua arte. Não precisa ter medo de perdê-la. Se ela é sua, estará sempre em você. Se não é sua, então uma parada pode ser realmente algo ameaçador. Ator-máquina, ator-prestação de contas, ator-mercado-enlatado. Faça uma arte que tenha sentido pra você. Não torne o palco um desfile de banalidades para mostrar serviço. O público não merece isso. Nem o Teatro. Para meu melhor, maior e verdadeiro amigo, meu pai. Que me ensinou absolutamente tudo o que importa: o amor. Velhas Árvores (Olavo Bilac)
Olha estas velhas árvores, mais belas Do que as árvores moças, mais amigas, Tanto mais belas quanto mais antigas, Vencedoras da idade e das procelas... O homem, a fera e o inseto, à sombra delas Vivem, livres da fome e de fadigas: E em seus galhos abrigam-se as cantigas E os amores das aves tagarelas. Não choremos, amigo, a mocidade! Envelheçamos rindo. Envelheçamos Como as árvores fortes envelhecem, Na glória de alegria e da bondade, Agasalhando os pássaros nos ramos, Dando sombra e consolo aos que padecem!
Escrito por Patricia Leonardelli às 23h58
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