Dolcissima - Blog de Patricia Leonardelli


Quer uma boa causa? Aí vai...

Escola Livre de Teatro de Santo André promove ocupação artística

A “Semana ELT em Alerta”, como foi chamada, começa nesta segunda-feira com diversas apresentações gratuitas de música, teatro e dança, além de mesa de debates com Luís Alberto de Abreu e Francisco Medeiros

De 21 a 25 de setembro a comunidade da Escola Livre de Teatro de Santo André (ELT) promove a Semana ELT em Alerta. O evento é uma Ocupação Artística em prol da Manutenção do Projeto Pedagógico da Escola, que está seriamente ameaçado.

Durante a semana, diversos coletivos teatrais e artistas que apóiam a causa se apresentarão nos espaços da Escola Livre de Teatro e Praça Rui Barbosa, no bairro de Santa Terezinha, Santo André. Farão parte da Semana, espetáculos de teatro e dança, atividades de literatura, apresentações musicais e performáticas, além de debates sobre políticas públicas culturais. Na mesa de debates do dia 23, o dramaturgo Luis Alberto de Abreu e o diretor Francisco Medeiros, discutirão sobre o projeto artístico-pedagógico da Escola.

No rol de convidados estão artistas de destaque na cena regional e nacional como a Cia. São Jorge de Variedades, Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, Brava Companhia, Teatro de Rocokóz, o escritor Marcelino Freire e o cantor Rubi.

Artistas e grupos participantes farão apresentações gratuitas em defesa da continuidade do projeto ELT, que se tornou referência para a formação de atores no Brasil e que está completando 20 anos de luta e existência. A Escola, que é autogerida pelo coletivo de mestres e aprendizes e escolhe democraticamente sua coordenação, ficou abalada no dia 08 de setembro de 2009, com a notícia de que seu coordenador pedagógico, o ator Edgar Castro - professor da escola há 11 anos - havia sido demitido sem justificativas.

Na sexta-feira, onze de setembro, mais de trezentos artistas representantes dos principais coletivos de artes cênicas das cidades de Santo André e São Paulo - entre eles as atrizes Maria Alice Vergueiro, Leona Cavalli, Georgete Fadel, o ator Antônio Petrim, a diretora Cibele Forjaz – fizeram uma passeata da Praça Rui Barbosa, sede da Escola, até o Paço Municipal, onde foi entregue uma carta de reivindicações ao Secretário de Cultura do município.

Ontem, dia 17, mais de cem artistas estiveram presentes na Câmara Municipal de Santo André, durante a Sessão Plenária. Os aprendizes Mário Augusto e Lílian Cardoso fizeram uso da Tribuna Livre para defender a continuidade do projeto da ELT e foram apoiados pela maioria absoluta dos vereadores.

O movimento repercutiu numa comissão de vereadores e membros da Comunidade ELT que dialogarão junto ao Poder Executivo, que vem negando todas as reivindicações da comunidade e descumprindo os prazos de resposta acordados em reunião, firmando a decisão de afastar Edgar Castro como coordenador e professor da Escola.

A comunidade não aceita essa decisão e por isso convida todos os cidadãos e cidadãs a participarem daSemana ELT em Alerta, uma mostra que reflete a diversidade estética e a profundidade ética que regem a práxis da Escola.

Para maiores informações, acesse o blogwww.movimentolivre-sa.blogspot.com


 



Escrito por Patricia Leonardelli às 13h53
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Emília, querida...nossa Giulieta Masina.



Escrito por Patricia Leonardelli às 13h01
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Punhetinhas com cheiro de flor

Eu e meu silêncio involuntário. Nele surgem coisas boas até. Tenho me perguntado muito, muito mesmo sobre meu trabalho e sobre o sentido do teatro hoje. Leio no blog da Cléo que ela cogita abandonar o teatro. Percebo que ela sente saudades parecidas com as minhas. No seu texto, ela conta que sabe exatamente quando o desencanto começou. Eu não tenho bem certeza do início do meu, e nem se ele tem a ver só comigo exatamente. Porque eu também venho me perguntando algo que não é muito novo, mas que eu nunca tinha me perguntado de verdade: fazer teatro pra quem? Tá, não precisa ser pra ninguém, porque eu faço teatro pra expressar as minhas angústias, senão eu fico louco, dizem alguns amigos. Ok, mas quem está ouvindo? Ou não precisa ter ninguém do outro lado? Ou eu faço para me exibir, porque acho normal ator ser cheio de vaidade? Acreditem, eu já ouvi isso da boca de muuuuitos atores. E talvez por isso o teatro tenha se tornado tão chato. Se é para ter aula de vaidade, fico em casa vendo novela. Ou, talvez, seja um fase, para mim e para a Cléo. Uma crise de onde algo novo pode surgir. Ou excesso de crítica. Pode ser tudo, não sei, o tempo vai dizer. Só não consigo é parar de perguntar, graças a Deus.

 



Escrito por Patricia Leonardelli às 12h58
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E aí eu estava estacionando o meu carro na Rua da Consolação para ir na Polimagem da Av. Rebouças, fazer uma tomografia da minha bichada lombar, quando vi o prédio. Uma construção bonita e sinistra. Na frente, dois seguranças de óculos escuros como nos filmes de Hollywood. Lindos. Os homens mais lindos que já vi desde que cheguei em São Paulo. Guardavam aquele prédio suspeitoso. Tanto mistério, quem poderia morar ali? O que tinha ali de tão secreto e perigoso que precisasse ser guardado pelos seguranças mais gostosos de São Paulo? Parecia realmente uma coisa espetacular o esquema. De repente, começam a chegar os moradores do prédio. Um senhor bem velho, uma senhora, um casal mais jovem. Quipás e lenços na cabeça. Judeus. É uma sinagoga, ou coisa que o valha. E eu do lado de fora pensando na esquisitice daquilo tudo. Porque tantos muros, tantas armas quando se vai apenas rezar? O que armas têm a ver com religião? O que Deus tem a ver com armas e seguranças? Engraçado como até mesmo rezar hoje em dia se tornou algo extremamente perigoso, pelo menos assim parecia por aquela cena. O medo, a paranóia. E a religião para religar. Religar o quê, se até para rezar os caras contratam seguranças armados? Tá tudo muito estranho nesse nosso mundo...



Escrito por Patricia Leonardelli às 19h49
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On an´off

Uma semana se passou e eu nada postei. Porque é mais fácil a vida nos levar do que nós levarmos a vida. A minha anda mudando tanto que nem sei dizer. Sumi dos lugares que costumava freqüentar, e passei a ir a outros para conhecer. Todo mundo não vive dizendo que São Paulo é a metrópole da diversidade de entretenimento, vamos a eles então. E é bom.

Mas, acho que venho acreditando também cada vez mais no silêncio. Num mundo em que todo mundo fala demais e não diz quase nada autêntico, o silêncio tem sido uma companhia interessante. Falo da mídia, é claro. E do que escapa dela para salvar nossas mentes e espíritos. Dos lugares-comuns. Dos deslumbramentos entediantes. Dos exercícios diários sobre a mediocridade. E falo também de um silêncio de cumplicidade que é uma das coisas mais preciosas que se pode ter. É sentar ao lado do meu pai, de mãos dadas, tomando chimarrão e ouvindo o movimento na praia. Caminhar com uma amiga no Parque. Ficar eternamente abraçada com o cara depois de um dia cansativo de trabalho. Sem relato, sem redundâncias.

O silêncio é o lugar onde descobrimos o que realmente merece não ser silêncio. É a casa. É o lar. É o encontro. No hay banda, no hay orquestra, como diz David Lynch.

É também uma forma de postar, e de deixar algo dito por aqui.

 



Escrito por Patricia Leonardelli às 19h14
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