Dolcissima - Blog de Patricia Leonardelli


O nojo

Todo asco da raça humana, para mim, pode ser resumido em dois conceitos: covardia e puritanismo. A covardia é a perversão que leva uma pessoa a usar de violência contra outra criatura evidentemente mais frágil, ou que numa batalha já foi dominada e está em situação desarmada. Puritanismo é a doença que o ser humano desenvolve em relação àquilo que é a coisa mais natural da existência: o sexo, a sensualidade e a sexualidade. Eu tinha orgulho do Brasil nesse sentido. Nossa tolerância tropical tem muitos aspectos negativos, mas certamente é brilhante em sua falta de pudor hipócrita, no desvelamento diário dos corpos nas praias, nas ruas, e na fraqueza da moralidade escrota que, em pleno século XXI, tenta envolver o corpo e a sexualidade numa aura de “pecado” (alguém ainda acredita nessa palavra ridícula?). Aí surge o caso daquela menina. Em São Paulo, na Uniban, e acho que isso diz muito sobre a cara enorme que o machismo adquire nessa cidade, infelizmente. E não bastasse a perseguição já noticiada em verso e prosa televisiva, agora leio na net que a menina foi expulsa da universidade. Aí, eu lembro de uma conversa que tive com minha cunhada sobre bullying, em que ela dizia uma coisa aterradora: o bullying só se instaura quando existe uma conivência generalizada de professores, diretores, colegas, enfim, todos os envolvidos. No caso dessa menina, foi mais do que conivência, a decisão da reitoria se coloca claramente criminosa. E de forma dupla: não punindo os verdadeiros criminosos e transformando a vítima, cujo único crime foi mostrar um corpo bonito num vestido curto. Lembro das mulheres de certos países fundamentalistas islâmicos que quando são estupradas são também mortas, já que cometeram o fatal crime de sedução. É, ser mulher continua sendo o pior dos crimes. Vergonha total. Não ponho os meus pés nesse lugar asqueroso. Não dou palestra na Uniban, não dou aula nem conferência nessa instituição e, se você for aluno ou funcionário dessa universidade de merda, favor não me dirigir a palavra. Que vergonha, meu Deus. E, francamente, se eu fosse paulistana e tivesse vergonha na cara, não deixaria de me posicionar sobre esse absurdo que, no final das contas, aconteceu nessa cidade e não em outra. Logo, é problema de todos nós, porque, francamente, tenho medo de imaginar onde isso vai dar com o tempo...

E, pra encerrar ou não esse assunto, roubei isso do blog da Fernanda Dumbra, com a sua devida permissão.

 

Vergonha...

SOBRE A MENINA, O VESTIDO E OS AMIGOS DA FACULDADE,

ALLAN SIEBER ESCREVEU:

_____________________

O FUTURO DA NAÇÃO  

Pois é, eu também fiquei chocado, mais precisamente enojado com essa notícia.

Que gente(?) é essa?

E não estamos falando de garotos do Primeiro Grau ou do Segundo Grau, não, é gente que está na FACULDADE.

Esse episódio explicita duas coisas bem nojentas e muito em voga:

 

1 - O atual movimento de prolongar a adolescência ad eternum. Ninguém mais quer ser adulto, todo mundo quer ser adolescente a vida toda, jogar videogame, usar boné, se vestir como garotos propaganda da Adidas, Nike ou Puma, chamar as meninas de puta.

2 - O espírito de turba. Numa multidão qualquer fascistinha dá vazão a seus impulsos e a barbárie tem lugar, é só o primeiro idiota gritar "lincha!" e o resto vai atrás. Por isso eu não gosto de  torcida de futebol. É o mesmo espírito. Ninguém tem coragem de SOZINHO ir lá na frente do jogador e xingar a mãe dele ou a mãe do cara da torcida adversária, mas num coro de "machões" todo mundo é super corajoso.

É tudo muito nojento.

 

PS: Aposto minhas abotoaduras novas como a primeira coisa que passará pela cabeça dos gênios ao lerem isso é  - "Nossa, mas essa notícia é TÃO semana passada"...

O caso é que sou um homem da semana passada. Do mês passado. Do século passado, para ser mais preciso.


Allan Sieber 

 

 

 



Escrito por Patricia Leonardelli às 21h42
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