
Lá se vai o poeta de um tempo tão mais doce, mais elegante, mais suave.
Que eu gostava tanto...
Escrito por Patricia Leonardelli às 13h59
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Roubei do blog do Ivam,sempre ligado nas coisas mais importantes!
Por favor, ajudem!
Escrito por Patricia Leonardelli às 01h50
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O pomar da discórdia
Nenhum povo aprendeu tanto com sua história recente quanto os judeus de Israel. Tornaram-se fascistas assassinos com um gabarito que deixaria papai Adolf orgulhoso. Falo isso sem o menor medo de parecer anti-semita, pois todos os meus queridos amigos judeus, que são pessoas brilhantes, críticas e muito humanas, concordam comigo em gênero, número e grau. É impossível a qualquer ser humano com pelo menos dois neurônios na cabeça ficar indiferente à abominável política de extermínio do povo palestino promovida por Israel e subvencionada pelos EUA nos últimos 60 anos. E disso fala “Lemon Tree”, o belíssimo filme que acabei de assistir.
De saída, o diretor encontra o caminho mais certeiro e honesto para contar a história. Na há metáforas, nem tentativas ridículas de “ver os dois lados da questão” ou “humanizar” o que não merece nem tem condições de ser humanizado. Há uma realidade, que está acontecendo agora, bem na nossa frente, que se sintetiza no drama de Salma Zidane (sim, como o jogador de futebol). Salma é uma agricultora de meia idade, que sobrevive da plantação e venda dos limões dos pomares em sua pequena casa, herança de seu falecido pai. Viúva há dez anos, com os filhos adultos e criados, sua companhia são as lembranças e um velho empregado da família, que a criou junto com o pai, e que acabou por ser sua família restante com a saída dos filhos de casa.
A vida de Salma ia relativamente tranqüila até a chegada dos novos vizinhos. Precisamente, o paranóico ministro de defesa de Israel e sua esposa apalermada e depressiva. Não precisa muito para que o ministro veja nas plantações de Salma um potencial refúgio para terroristas, que encontrariam nos limoeiros esconderijos perfeitos para se aproximarem da mansão e atacar sua família. Usando a inacreditável Lei da Intifada, que dá poderes legais para que o exército israelense tome posse, viole e destrua qualquer propriedade particular de palestinos sob acusação de perigo militar, o ministro (que se chama “Israel”) decreta a derrubada do pomar de Salma. Mas, como já é lendária a generosidade dos judeus, eles oferecem a ela uma “indenização financeira” pelo roubo e destruição que o estado promove em suas terras.
Mas, Salma não quer dinheiro. No pomar, estão as lembranças de seu pai, da infância, de tudo que ficou. Inicia-se, então, uma batalha que todos nós já sabemos como vai terminar. Sem metáforas, nem falsas esperanças. Não é necessário enganação para se arrebatar o público. O rosto da atriz Hiam Abass é a própria palestina, magnífica em seus silêncios, insuperavelmente linda em suas marcas. Há muito, realmente muito tempo eu não via um trabalho de atriz com tamanha potência e dignidade. Sua força expressiva carrega e dá voz a uma tragédia que nós conhecemos de longe, e que tornamos nossa pela beleza de sua interpretação, contrastando com a debilidade da ocidentalizada e infeliz Mira, a esposa do ministro, que no final se mostra mais prisioneira do que a palestina Salma.
Enorme filme, poucos caracteres disponíveis.
Desde já, Salma Zidane está na galeria das maiores personagens femininas da cinematografia contemporânea.
Pra ver e sair com o coração pequeno. Muito pequeno mesmo
Escrito por Patricia Leonardelli às 01h10
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Dia dos Pais
Engraçado. Não escrevi nada ontem porque achei que não tinha mais criatividade para dizer o que é o meu véio na minha vida. Aí hoje, por acaso, eu ligo a TV no intervalo do trabalho e está passando o meu filme preferido dos últimos anos, “Pequena Miss Sunshine”. Está bem naquela parte em que a guriazinha tá se apresentando e a dondoca bregalouca da presidente do concurso manda o pai dela tirar ela de cena. Ele sobe no palco para fazer isso, e no meio do caminho começa a dançar e acompanhar a performance arrasadora da fofilda. Claro que acabam todos na delegacia.
Bem, isso é exatamente o meu pai.
Sempre foi assim, e sempre vai ser.
Que bom!
Escrito por Patricia Leonardelli às 15h36
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Tarde no circo
- Lu, vamos ao circo hoje, que tal?
- Ao circo, mãe?
- Sim, Lucrecinha, você tem que sair um pouco meu amor. Vai ter outras crianças, um monte de coisas legais, vamos?
- Não queria, mãe.
- Já comprei os ingressos, te arruma que já vamos sair.
Chegando no circo...
- Olha ali, Lucrecinha, os palhaços, meu amor!
- Mãe, porque os palhaços têm nariz vermelho?
- Porque são palhaços, filha, eles são assim. Olha! O maior tá chutando o bum bum do menor! Ah, ele caiu no balde d´água! Hahahaha...olha que engraçado, filha!
- ...
- Que foi, filha?
- Não, nada. É que lá na escolinha o Zitão chuta o bum bum do Chiquinho todo dia, sabe?
- Ah, sim...mas olha agora! O que será que vem agora, hein? Os animais! Nossa, filha, olha o tamanho do leão, que bravo!
- Mas ele tá...
- Gente! O domador é muito corajoso! Olha o leão pulando no aro com fogo, filha!
- O leão tá apanhando muito, mãe...
- Não, filha, é só de mentirinha, só faz barulho o chicote.
- Então, porque o leão não tem dente, mãe?
- Ai, Lucrécia...ah, não filha, essa você não pode perder: aí vêm os trapezistas! Lá no alto, filha, olha!
- Não consigo enxergar direito.
- Lá, lá, vê, lá bem no alto!!!
- Hum.
- Gente! Eu nunca teria coragem de fazer uma coisa dessas, você teria, filha? Olha lá, meu Deus...pegou na barra! Ah, que maravilha!!!
- O que acontece se ele não consegue pegar no trapézio, mãe?
- Ele cai.
- E morre?
- Não, meu amor, fica tranqüila. É pra isso que tem essa rede grande ali embaixo.
- Mas se ele cair fora da rede?
- Não, mas...
- E se ele cair errado e a rede jogar ele para longe, ele morre?
- ...
- Sabe, mãe, eu acho que as pessoas iam adorar se ele morresse. Acho que, no fundo, as pessoas pagam ingresso só na esperança de ver o trapezista cair, sabe, mãe? Seria muito emocionante! Por isso o trapézio é o último número. No circo, o melhor número é sempre o último, sabe, mãe? Eu aprendi isso com um amiguinho meu, filho de artista de circo, lá na escola. O melhor número é sempre o último. Bonito isso, né mãe?
- ...
Escrito por Patricia Leonardelli às 12h43
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As catástrofes. Bem, todos nós já estamos carecas de saber das reflexões de Benjamin sobre as transformações impostas à Arte em geral depois da experiência da segunda guerra e de sua produção na era das catástrofes. Terrivelmente lúcidas. Reflexões não, conclusões, pois, para o bem ou para o mal, realmente encerram o assunto. Não há ação artística que supere a violência da ação real depois de Hitler. O limite se rompeu. Não há ato ou discurso imaginário organizado e apresentado poeticamente que consiga produzir uma reação de impacto comparável às ações reais efetuadas pelos nazis em sua empreitada de extermínio. Toda arte que se pretende potente nesse sentido, torna-se, no mínimo, ingênua. Desculpe quem se ofende com isso, porque acha que sua obra é violentamente arrebatadora e profunda, mas é assim que é. Ela não faz nem cócegas diante do horror que já experimentamos em nossa história recente.
Então, porque seguimos fazendo alguma coisa chamada arte?
Aí já não sei, e me sinto cada vez mais velha para tentar responder.
Eu faço por que beleza, para mim, não é apenas enfeitar a vida. É conseguir produzir respostas poéticas para a ignorância de minha espécie. Como diz o Abujanra: eu tento ficar quieto, mas o mundo me provoca o tempo inteiro.
Vamos voltar com “A Valsa das Solitárias”, quartas-feiras às 21h, no Espaço Parlapatões.
Escolhi esses textos, primeiramente, por que são absurdamente bons (o trocadilho foi irresistível). Porque existe tanta violência ali. Uma violência subterrânea e invisível como os monstruosos Blackwaters. Uma violência que as mulheres conhecem como ninguém, e que as mulheres de Díaz são mestres em exercitar. Alguma coisa terrível que se esconde em nosso sorriso diário. Uma semente de tragédia.

“VALSA DAS SOLITÁRIAS”
TEXTO: JORGE DÍAZ
DIREÇÃO: DIEGO JOSÉ VILLAR
ELENCO: FERNANDA CUNHA, LÍRIA VARNE E PATRICIA LEONARDELLI
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: JÚLIO CÉSAR DÓRIA
CENOGRAFIA E CENOTECNIA: ZITÃO
ESPAÇO PARLAPATÕES
QUARTAS-FEIRAS, 21h, DE 30/07 à 10/09
Escrito por Patricia Leonardelli às 18h20
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Blackwater
Em São Paulo, depois de quase um mês em Porto Alegre cuidando de quem mais amo no mundo.
Volto para minha vida, mas nada mais é como antes. Absolutamente nada.
Tudo é urgente, cada segundo é precioso, o tempo é curto para viver.
Há em mim agora um desespero, uma consciência do horror de nossos tempos, que a cada dia se tornam piores do que eu poderia imaginar.
Em minha casa, assisto ao brilhante programa de entrevistas do canal 40 chamado “Milênio”.
O horror tem nome e data marcada para chegar aqui.
Vocês já ouviram falar do repórter norte-americano Jeremy Scahill?
E de um “esquadrão de pacificadores” estadunidenses chamados Blackwater?
Não?
Eu também não tinha até assistir a essa entrevista.
Blackwater é um dos inúmeros grupos de mercenários sustentados e conluiados com o governo dos EUA para executar suas ações assassinas subterraneamente nos países que os EUA, por motivos evidentemente econômicos, mas sempre alegadamente ideológicos, decidem invadir.
São chamados pela mídia americana de “pacificadores”. Eles substituem os soldados quando a invasão torna-se impopular para os governos. O Iraque, atualmente, está cada vez mais cheio deles, a medida que a opinião pública cobra uma retirada dos soldados yankees do país. Os “blackwaters” permanecem nos países, matando, usando todo tipo de arma química banida pela ONU e fazendo milhares de vítimas “escondidas”, que simplesmente “desaparecem”, pois, como não são mortas por soldados, não entram na conta oficial. Calcula-se que cerca de um terço da população iraquiana já foi morta desde o início da cruzada de Bush. Ah, esqueci de esclarecer, os blackwaters são fundamentalistas cristãos também. Mas, acima de tudo, fundamentalistas do capital financeiro.
Mas o que mais preocupa Scahill atualmente?
Existe uma verba do governo estadunidense de 15 bilhões de dólares que já está aprovada pelo orçamento para iniciar a operação narcotráfico na América Latina. Pra quando? Pra hoje!
Sim, eles já estão aqui, e faz tempo.
Você estava preocupado em criticar o plebiscito do Hugo Chávez, aquele “terrível ditador populista”?
Em condenar a nacionalização das refinarias promovida pelo Evo Morales?
Ou então com a porra da lei seca?
Acorda, meu filho!!!
Você não tem a menor idéia do tamanho do que vem por aí...
Escrito por Patricia Leonardelli às 21h53
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Em Porto Alegre, me sentindo cada dia mais distante de São Paulo...
Os Saltimbancos - Minha Canção
Dorme a cidade Resta um coração Misterioso Faz uma canção Soletra um verso Lá na melodia Singelamente Dolorosamente Doce a música Silenciosa Larga o meu peito Solta-se no espaço Faz-se certeza Minha canção Réstia de luz onde Dorme o meu irmão
Os Saltimbancos - A Cidade Ideal
Mas não, mas não O sonho é meu e eu sonho que Deve ter alamedas verdes A cidade dos meus amores E, quem dera, os moradores E o prefeito e os varredores Fossem somente crianças Deve ter alamedas verdes A cidade dos meus amores E, quem dera, os moradores E o prefeito e os varredores E os pintores e os vendedores As senhoras e os senhores E os guardas e os inspetores Fossem somente crianças
Escrito por Patricia Leonardelli às 23h15
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Casa
E lá se foi mais um semestre. Cada vez mais meus finais de semestre me parecem finais de ano. Esse foi lindo demais. A peça foi um sucesso que, realmente, nenhuma de nós podia imaginar que fosse se tornar quando iniciamos a nossa miserável produção. Os milagres dificilmente vêm, mas, quando vêm, surgem de onde você menos espera. Foi a lição que aprendi nesse semestre. Agora, vou para Porto Alegre, e lá fico até o final do mês. Cuidando da minha mãe, que vai se operar. E do meu véio querido. Parar de pensar mim, coisa que faço tanto, o tempo todo. Todos fazemos, o tempo todo. Parar de pensar na gente e colocar outras pessoas no centro de nossa vida, por um tempo, pode ser um exercício maravilhoso de percepção. Voltamos agradecidos, valorizando o que temos, amando mais e se irritando menos com tantas coisas insuportáveis que nos cercam. Tolerando menos o que é intolerável em nossa vida. Ontem à noite, passei rápido por um farol na Dr. Arnaldo, e vi de relance um menino chorando no meio fio da calçada. Ele já não pedia nada, só chorava. Não deu para ir para a casa. Dei meia volta na Teodoro Sampaio, e quando cheguei onde ele estava, tinha um motoqueiro dando um monte de bolachas para o menino. O cara também não conseguiu passar o farol e ir para casa. Dei todo o dinheiro que eu tinha (imagine a fortuna!) para o menino, que amanhã vai estar novamente no frio, na rua, com fome, sem amor sem casa, sem nada do que as crianças da idade dele merecem ter.
Eu vou para casa para lembrar que tem certas coisas que não dá para aceitar.
Para lembrar o que não pode ser esquecido nunca.
Escrito por Patricia Leonardelli às 23h18
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Esse eu escrevi para o processo de criação de meu novo espetáculo, que vai estreiar no segundo semestre...
“Quando eu nasci, meus pais pararam de fumar. Ali, eu já aprendia que quando viemos a esse mundo, perdemos algo. Platão dizia que perdemos tudo, tudo que importa, toda a verdade. E ficamos só com as ilusões dos sentidos, como ratinhos do laboratório de Deus que acreditam que suas gaiolas com um pouco de comida e uma rodinha para correr podem ser seus habitats naturais. Calderón vai dizer, milênios depois, que a vida é sonho, e os sonhos, sonhos são. Sonhos SÃO! São mais que a vida, ou a idéia de que existe uma vida objetiva que é a verdadeira, e que não conseguimos atingir. Tudo é sonho? Estamos agora num estado onírico da teatralidade divina, que nos permite a graça de acreditarmos que nossa existência particular é importante dentro do grande jogo daquilo que chamamos “vida”? Que lindo presente. Lindo e inebriante, pois sabemos que essa idéia tornou-se uma obsessão para nós, os macacos- casi-sapiens, a ponto de destruirmos tudo que nos é diferente, tão fortemente cremos que somos especiais. Não somos, e isso dói. É doído para o ego de um macaco tecnicamente evoluído saber que é só parte, e não a mais fundamental, da grande obra. Aí a gente se revolta, e quebra tudo. “Não brinco mais!”, diz o macaco-casi-sapiens, diante do imponderável, e mostra-se mais ignorante do que é. As coisas seguem, não importa se você vive uma semana, um dia ou oitenta anos. Ou duzentos anos, como as árvores. Não importa? Claro que importa! Faz toda a diferença. Dormir por duzentos anos. Ficar uma semana acordado direto. Sonhar. Viver. Lembrar. Mentir. A morte é o grande adormecer ou o grande despertar? E se a vida é sonho, para onde iremos quando acordarmos? Só espero que tenha alguém por lá, pois, como mulherzinha que sou, e assim Deus me fez (logo, disso não tenho culpa), não vou agüentar passar a eternidade sem ter com quem conversar...”
Escrito por Patricia Leonardelli às 16h37
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Buteco das mina I:
“Quando um homem decide ser homem...ah, que coisa linda que é!”
Escrito por Patricia Leonardelli às 13h45
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Tropa da elite
Wellington Gonzaga de Costa, de 19 anos, Marcos Paulo da Silva Correia, de 17, e David Wilson Florêncio, de 24. São esses os nomes dos três jovens do Morro da Providência que foram assassinados por traficantes de uma favela vizinha após terem sido entregues de bandeja por militares do Exército.
Alguém se deu ao trabalho de ver os rostos das mães deles diante do pedido de desculpas do exército?
Longa vida ao Capitão Nascimento, nosso herói, e sua tropa de psicopatas fardados. Tropa de Elite, disso não temos dúvida.
Há coisas que nem a fé mais adamantada consegue conceber.
Escrito por Patricia Leonardelli às 16h03
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River at work
Dois dias no Rio de Janeiro a trabalho.
E deu tudo errado.
Mas o Rio é tão lindo,
que mesmo quando tudo dá errado,
ainda assim,
dá tudo certo.
Escrito por Patricia Leonardelli às 15h32
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Aplausos de agradecimento. Enormes, maiores que a vida. Lágrimas desprevenidas, engasgadas diante de tanto amor. Pessoas no chão, apertadas, em pé, menos confortáveis do que mereciam estar. “Aquele lugar é ruim de ver!”, avisa o nosso querido diretor nervoso e culpado, como todos nós, na bilheteria. “Mas eu quero mesmo assim!”, disse o público. E nós, que não temos dinheiro, que não temos patrocínio, que não temos nada (a não ser esse nosso amor), ficamos, cada fim-de-semana, menos e menos solitárias
Escrito por Patricia Leonardelli às 19h01
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Banana is my bussines
É o nome do documentário sobre a Carmem Miranda que assisti no Canalbrasil esses dias. Fiquei pensando no tamanho da importância da Carmem Miranda no nosso imaginário. Ela ainda é o maior símbolo de alegria pura e inteligente que o Brasil já produziu. Se hoje o público parece se satisfazer com mulheres-melancia ou samambaias, ela era todas as frutas, cores e sabores juntos e enchia a tela como seu um metro e meio de altura e três metros e meio de sorriso. Claro que hoje ela anda meio esquecida, porque, atualmente, ser alegre não é considerado nem bonito nem inteligente, e sim burro e ingênuo. Se você não está sofrendo, deprimido, lamentando como sua vida é infeliz e como o mundo é complicado, você não é profundo e denso, é um bobo alegre que não merece ser escutado. Mas, Carmem era infinitamente maior que essas idiotices do impotente pensamento de nossos tempos, e sabia que a única força real é a alegria, a celebração, o riso puro e a dança. O que eu não sabia é que ela sofreu como um camelo em sua vida pessoal, de fazer jus a Piaf, e tantas outras mulheres que pagaram um preço altíssimo por brilhar mais do que o resto do mundo. Brilhar é algo terrivelmente cansativo. Não é tão difícil posar de deprimido-profundo-existencialista-pessimista-da-cidade-grande, por que, no fundo, você tá mortinho de pena de si mesmo e do seu sofrimentinho de homem sem rumo, e está louco para que venham seus amigos dizer: “nossa, como fulano é sensível!”. Blargh! Tenho vontade de vomitar. Difícil, ferrado mesmo, é brilhar no meio dos medíocres, é sorrir diante dos deprimidos de plantão e suas vidinhas cheia de problemas profundos. Por isso, todas, absolutamente todas que brilharam mais do que o permitido, morreram tão jovens, e com tanto sofrimento. O mundo dos buracos negros é implacável com as verdadeiras estrelas.
Escrito por Patricia Leonardelli às 13h42
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